segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

DOW JONES X IBOVESPA

Não é segredo para quem estuda os movimentos de mercado com um mínimo de seriedade, que uma das teses mais furadas dentre as muitas abobrinhas propagadas pela mídia dita "especializada" é a da correlação existente entre os movimentos do mercado brasileiro e do mercado norte-americano. Basta um rápido lançe de olhos, comparando um gráfico ao outro, para perceber o quão desprovida de fundamentos é a tese da corelação entre o nosso mercado e o norte-americano.

Percebe-se com clareza o caráter independente da formação de preços nesses dois mercados comparando o comportamento do IBOV e do DJI
em perspectiva de longo prazo, abrangendo toda a última década. Vê-se que o Índice Bovespa segue uma clara tendência de alta, iniciada por volta de 1993 e, naturalmente, entremeada de correções que periodicamente trazem o índice para as proximidades de sua linha de suporte. A última dessas correções responde pelo movimento de baixa que estamos presenciando desde junho do ano passado. Nas últimas semanas o principal indicador do mercado brasileiro parece estar confirmando a entrada em um repique intermediário, no qual já é visível a formação de topos e fundos cada vez mais elevados (no que, aliás, reflete o comportamento dos principais papéis que o compõem). É muito improvável que tendência de baixa já tenha se esgotado e possivelmente veremos mais uma forte perna de baixa antes que se instale uma retomada consistente nos preços das ações brasileiras.

Agora compare esse comportamento com o DOW JONES... Vê-se que o indicador norte-americano parece ter formado um enorme movimento de distribuição lateral nos últimos dez anos, entremeando amplos movimentos de alta e de baixa. A resistência na parte superior da distribuição foi momentaneamente ultrapassada entre setembro de 2006 e junho de 2008, porém o nível de suporte tem se mantido - durante toda a década - firme ao redor dos 7400 pontos. Recentemente, depois de uma vez mais buscar as proximidades deste patamar, o DJI parece - ainda é um pouco cedo para afirmá-lo com maior segurança - ter entrado em um distribuição mais estreita, oscilando entre os níveis de 7.900 e 9000 pontos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

COMEÇANDO 2009 COM AS LÍDERES

O ano de 2009 inicia com o mercado enviando sinais de esgotamento da primeira etapa da tendência de baixa iniciada em junho 2008. Estamos agora em pleno repique corretivo, o qual deve perdurar por várias semanas, até que se inicie a segunda e derradeira perna de baixa do atual ciclo. O repique é visível nos gráficos semanais das principais ações componentes do IBOV. Começando a análisa por PETR4, observa-se que ela fez uma reversão clássica entre novembro e dezembro do ano passado e passou a formar topos e fundos cada vez mais elevados, confirmando, assim, a tendência intermediária de alta que caracteriza os repiques em um ciclo mais amplo de baixa. Esse padrão foi reproduzido - com incrível semelhança - por GGBR4, que a esta altura igualmente apresenta o repique intermediário claramente consolidado.

A situação é menos nítida em VALE5, papel que apresentou um comportamento um pouco diferente dos demais no final de sua primeira perna de baixa, a qual se en
cerrou com uma distribuição lateral cujo topo ainda não foi definitivamente rompido. Prudentemente, pois noto que o topo da distribuição está mal definido, prefiro considerar que o repique intermediário de VALE5 só terá inicío com a confirmação do rompimento do patamar de R$ 29,00.

Não possível estimar até onde o atual repique será capaz de levar os preços. Ele pode tanto se esgotar rapidamente como pode prolongar-se por muitas semanas levando os valore dos papéis até um ponto próximo ao dos picos alcançados entre maio e junho do ano passado, dessa feita recomenda-se muita atenção e conservadorismo no posicionamento de trailing stops (lembro que mais informações sobre o trailing stop estão disponíveis em um post datado de 02 de novembro), para quem estiver ingressando agora.

domingo, 28 de dezembro de 2008

AMERICA´S GREAT DEPRESSION

" But the worst is that people are incorrigible. After a few years they embark anew upon credit expansion, and the old story repeats itself."
Ludwig von Mises - Human Action

Esses longos feriados de fim de ano sempre propiciam ótimos momentos de reflexão para a esquisitíssima categoria de brasileiros (não devo estar sozinho...) que padecem de uma incontornável ojeriza à areia, bronzeador e multidões à beira mar. Desse modo, resolvi gastar uma parte do tempo livre lendo pela primeira vez uma obra de Murray Rothbard, economista norte-americano - infelizmente já falecido - afiliado à respeitabilís
sima linhagem da escola austríaca de economia. America´s Great Depression analisa os efeitos concretos das intervenções promovidas pelas autoridades monetária e pelo governo norte-americano nos primeiros anos da Grande Depressão, ainda durante o mandato de Herbert Hoover, o predecessor de Franklin D. Roosevelt. Embora este último tenha se tornado conhecido como o pai do New Deal, Rothbard demonstra convincentemente que a maior parte das políticas aplicadas por Roosevelt foram esboçadas e já estavam sendo aplicadas - embora com uma dose menor de radicalismo - sob o governo Hoover, o qual nunca demonstrou muita convicção, mesmo antes da crise, nos princípios do laissez - faire.

O mais interessante no livro é, logicamente, a apreciação do autor quanto às causas da crise e quanto à eficácia das políticas intervencionistas amplamente apresentadas como "solução" para a depressão econômica. Na visão de Rothbard - ou da escola austríaca, melhor dizendo - o boom econômico que precede uma depressão é causado por uma política monetári
a frouxa (easy money) insistentemente perseguida pelos bancos centrais (no caso americano, pelo Federal Reserve), a qual motiva uma expansão exagerada do crédito na economia acompanhada da conseqüente queda das taxas de juros no mercado de crédito, que por sua vez distorce os cálculos econômicos dos empreendedores, pois leva-os a alocar fatores de produção escassos em projetos para os quais não há uma real demanda de consumo. Aqui é preciso ter em mente que para a escola austríaca a taxa de juros é uma expressão das preferências de tempo dos consumidores - uma queda na preferência de tempo , i.e., uma propensão à adiar o consumo presente em prol do consumo futuro leva a uma maior disponibilidade de capital na economia; o contrário ocorre quanto há uma elevação preferência de tempo e os consumidores preferem incrementar o consumo presente em detrimento do consumo futuro. Dessa feita, a expansão artificial do crédito - ou seja, uma expansão do crédito sem a correspondente expansão do capital realmente disponível na economia, posto que não houve uma diminuição nas preferências de tempo dos consumidores - fatalmente leva a uma onda de maus investimentos que não obstante a improdutividade (subprime loans, por exemplo...) acabam por retirar da economia recursos escassos que deixam de ser empregados em áreas onde teriam uma maior utilidade.

Como o processo de inflação artificial do crédito não pode prosseguir indefinidamente, pois é impossível sustentar para sempre a operação deficitária dos empreendimentos cuja rationale está calcada em um avaliação errônea das preferências de consumo, a bolha um dia estoura e o processo de ajuste tem início: os bancos comerciais tornam-se muito mais seletivos na concessão de crédito; empresas financeiramente frágeis quebram; o produto interno se retrai; o desemprego aumenta; uma deflação generalizada de preços (das matérias primas e demais fatores de produção, de bens intermediários e de bens de consumo) tem início
; bancos assolados pela inadimplência do crédito facilmente concedido quebram; uma crise de confiança no sistema bancário se instala; no limite a população perde a confiança na moeda... Esse cenário horrendo e invariavelmente temido por todos é, porém, um mal necessário, pois a depressão que se segue ao boom nada mais é do que o ajuste natural pelo qual economia tem que passar no seu retorno à normalidade.

Rothbard nota que em crises anteriores à de 1929 o processo de ajuste sempre foi rápido e intenso, com a economia retornando à normalidade após 18 meses em média. A depressão econômica que se seguiu ao estouro da bolha de crédito em 29, no entando, durou quase 10 anos! Porquê? Na melhor tradição liberal, Rothbard demonstra com argumentos bastante verossímeis que as sucessivas intervenções do FED e do Governo no sentido de conter os efeito do ajuste (p.ex., insistindo em uma política monetária inflacionária
- que foi a própria causadora da crise; estabelecendo controles de preços; concedendo subsídios a determinados setores econômicos e impedindo um reajuste nos níveis salariais para readequa-los à deflação de preços), apenas tiveram o condão de prolongá-lo por um período muito superior ao necessário. Isso além de contribuir para agravar a sua intensidade (com efeito, a manutenção dos salários nominais em níveis estáveis contribuiu enormemente para os recordes de desemprego registrados no período).

Avançando a história para a primeira década século XXI, é impossível negar o acerto da observação de Mises que epigrafa este post: a mesma expansão irresponsável do crédito, estimulada a torto e a direito pelas autoridades monetárias ávidas pelo reconhecimento político imediato resultante do "progresso" econômico e aplaudida, também a torto e a direito, por empreendedores e líderes empresariais (afinal, é de sua natureza gostar de crédito fácil) está na raiz da atual crise e agora resta passar pelo doloroso processo de ajuste, até que a economia retorne à normalidade e os bancos centrais dêem início a uma nova inflação de crédito...

Voltando um pouco ao mercado financeiro, postei ao lado o gráfico semanal do DJI, mostrando o comportamento do índice durante os anos mais agudos da crise. Note-se o pico de 386 pontos atingido em 03/09/1929, a suave correção que a princípio se seguiu e o pânico instalado a partir de 21/10/1929, com a perda do suporte situado e
m 316 pontos. A partir daí a tendência de queda prosseguiu firme até o fundo de 40 pontos atingido em maio de 1932 ( no total, 33 meses do pico ao fundo). Nesse ponto - muito antes, portanto, da recuperação da economia como um todo - o Dow Jones iniciou um movimento clássico de reversão em quatro etapas: 1. Atinge o fundo propriamente dito; 2. Faz um repique corretivo - até aí igual a qualquer outro; 3. Volta a cair, mas faz um fundo superior ao fundo anterior e 4. retoma o movimento de alta, ultrapassando com segurança o pico formado no repique (02). Obviamente, quem entrou comprando a partir do ponto 4, não dever ter tido muitos motivos para continuar a reclamar da vida... Extrai-se daí uma importante lição, que todo a investidor deve lembrar em momentos de crise: assim como o mercado de ações desconta abruptamente o preço de todos os ativos no início do ajuste econômico que se segue ao boom, ele também tende a antecipar - às vezes em vários anos, como no caso de 1929 - a retomada da normalidade. Os momentos de maior desesperança do público podem ser justamente os mais favoráveis para os investidores com a cabeça no lugar, atentos aos sinais da virada no mercado.

domingo, 14 de dezembro de 2008

LÍDERES DO MERCADO

As tendências de alta e de baixa no mercado não se desenvolvem linearmente, em um único movimento. Elas são normalmente permeadas por repiques de curta e média duração e, às vezes, brevemente interrompidas por movimentos laterais de acumulação. Em uma tendência de baixa, os repiques de maior intesidade costumam formar caprichosas arapucas para invesdidores desavisados, que os tomam como um indicativo de reverão rumo à uma nova tendência de alta. Pois bem, alguns ativos-líderes do mercado brasileiro estão esboçando uma configuração gráfica propícia a despertar um ingênuo otimismo, na base do "o pior já passou", pois parecem estar prestes a ingressar em um repique intermediário de mediana intensidade - como é comum acontecer em meio às tendências de baixa mais fortes.

Observa-se essa dinâmica nos gráficos semanais de PETR4
e GGBR4. Ambas sinalizaram um esgotamento da primeira perna de baixa, conforme indicamos pelo traços em vermelho: um fundo seguido de um rápido repique e de nova precipitação para um fundo superior ao anterior; por fim, um repique superando o topo do repique anterior, o que indica que estes papéis estão - muito provavelmente - ingressando na fase inicial de um repique intermediário de maior extensão, que pode durar algumas semanas. VALE5, por sua vez, apresenta uma situação diferente: o papel está desenvolvendo uma congestão lateral com um suporte já aparentemente bem definido (linha vermelha), mas ainda sem uma resistência claramente delimitada, o que recomenda que se aguarda uma definição mais clara de comportamento para o curto prazo.

Obviamente, não há nada de errado em tentar aproveitar um repique intermediário dentro de uma tendência de baixa, desde que se tenha sempre em mente que se trata de um repique, ou seja, operá-lo demanda redobrados cuidados no que toca ao manejo de risco (sugiro reduzir a exposição de risco pela metade) e o uso de sto-loss e trailing stops mais curtos, uma vez que a tendência principal de baixa pode ser retomada abruptamente, sem aviso prévio.


domingo, 7 de dezembro de 2008

IBOVESPA vs DOW JONES

O comportamento dos principais índices do mercado de ações tende a refletir muito mais as expectativas dos agentes econômicos quanto ao comportamento futuro da economia do que a retratar a situação presente. Por isso não é de se estranhar que a divulgação de dados que confirmam a gravidade da recessão nos EUA e traçam um cenário bem pouco animador para a economia brasileira no próximo ano, acabou por não se refletir em novos fundos no Dow Jones e no Índice Bovespa. Percebe-se claramente nos gráficos semanais ao lado que ambos os índices atingiram seus objetivos técnicos (os quais, aliás, já foram objeto de cometários no post de 19/10).

O DJI estancou a queda justamente na linha de suporte que vem segurando suas correções desde junho de 1997, ao redor dos 7400 pts. Note-se que desde essa época o DJI parece ter entrado em uma enorme distribuição lateral, alternando ciclos de alta e baixa de média duração. Primeiro uma alta que se estendeu de outubro de 1998 a janeiro de 2000, a partir daí uma baixa que durou exatos três anos, até janeiro de 2003, seguida por um novo ciclo de alta entre março de 2003 e outubro de 2007, quando teve início novo ciclo de baixa. O investidor norte-americano que empregou uma estratéria de buy and hold - pensando no longo prazo, como recomendam os empertigados conselheiros financeiros -, portanto, acabou ficando uma década quase sem ganhos, isso se comprou próximo do suporte ( e são poucos os que o fazem), já se comprou em meio aos ciclos de alta, o prejuízo está garantido.

O IBOV, por sua vez, está em claro ciclo de alta de longo prazo e a correção iniciada em junho de 2008 trouxe o índice de volta para LTA que dá suporte a esta alta. Note-se a expressiva queda no volume financeiro a partir do mês de outubro, o que pode ser um indicativo de que a primeira etapa da correção está se prestes a se esgotar e de que estamos próximos de um repique de maior intensidade.

domingo, 30 de novembro de 2008

MEDINDO O SEU DESEMPENHO

Acredito que grande parte dos investidores que se aventuram no mercado de ações não adota parâmetros de apuração de sua performance, a não ser por eventuais conferidas no extrato da corretora quando o mercado está em alta - na baixa a maioria prefere nem ver... Como em tudo na vida, esse comodismo costuma custar caro porque impede o investidor de visualizar com clareza os pontos falhos em sua metodologia, os buracos-negros que contribuem impiedosamente para a destruição de seu precioso capital. Para piorar, a memória dos investidores costuma ser dotada de um curioso mecanismo seletivo: sempre nos lembramos dos pequenos e , sobretudo, dos grandes ganhos, mas tendemos a esquecer rapidamente as pequenas e grandes perdas. Mas objetivamente, quantos sabem dizer qual o percentual de trades que resultam em ganhos? Qual é o tamanho médio dos ganhos? E das perdas? Quantos reais são ganhos para cada real perdido?

Quem quer operar com seriedade não pode prescindir de um registro detalhado de todos os trades realizados, pois é ele que fornecerá os dados para a análise de performance. Este registro pode ser facilmente montado e automatizado em uma planilha eletrônica e deve conter no mínimo as seguinte informações: papel negociado, preço de entrada, data da entrada, corretagem de entrada, preço de saída, data de saída, corretagem de saída e lucro/prejuízo da operação. A partir daí é possível montar uma série de indicadores que, bem utilizados, vão ajudar o investidor a não apenas depurar o seu estilo de trading, ( foi assim que eu me convenci a abandonar completamente o swing trade, pois vi que eu tendia a perder dinheiro em operações de curto prazo e a ganhar nas de médio e longo prazo) mas também a testar o quanto novas abordagens podem incrementar ou reduzir o P/L agregado do portfólio.


O P/L líquido resultante dos lucros e prejuízos agregados de cada operação é, por razões óbvias, a medida que costuma interessar aos investidores, mas os indicadores de performance mais importantes são aqueles que permitem vislumbrar em primeiro lugar onde estão os geradores de lucro e prejuízo dentro de um portfólio de operações. Faz sentido, portanto, começar pelo cálculo dos seguintes indicadores relativos ao retorno sobre o capital:
  • Lucro Médio de cada operação, em quantia financeira (R$) e em % sobre o patrimônio alocado para cada operação que gerou lucro;
  • Prejuízo Médio de cada operação, em quantia financeira (R$) e em % sobre o patrimônio alocado para cada operação que gerou prejuízo;
Caso observe que o prejuízo médio é maior do que o lucro médio, saiba que isso é um sintoma de que você está esperando demais para encerrar as posições que deram errado e está realizando lucros rápido demais nas que deram certo, sem dar tempo para a posição lucrativa render tudo o que pode. É interessante calcular também os seguintes indicadores sobre transações:
  • % de operações que geram lucros, em relação ao total de operações feitas;
  • % de operações que geram prejuízos, em relação o total de operações feitas;
Não se assuste se descobrir que a maioria das suas operações gera prejuízo - mesmo excelentes traders costumam errar mais do que acertar - isso não é problema desde que o lucro médio seja superior ao prejuízo médio. Agora, é a partir destes dados que você vai calcular um importantíssimo indicador:

  • Índice de Impacto: (lucro financeiro médio/prejuízo financeiro médio) basicamente esse é o indicador vai lhe dizer quantos reais você ganha para cada real que você perde.
Quanto mais alto o Índice de Impacto, melhor, pois indica que você tem uma abordagem consistente no gerenciamento de riscos. Por outro lado, se o Índice de Impacto for inferior a um (1), pare de operar imediatamente e revise toda a sua metodologia, pois você está operando com uma expectativa negativa, i.e., no agregado você tende a perder mais dinheiro do que ganha. Por fim, não custa também calcular o seguinte:
  • % dos lucros oriundos dos 10% de operações mais lucrativas (p.ex. de você teve 40 operações com lucro, calcule quanto as 4 mais lucrativas contribuíram para o total de lucros);
  • % dos prejuízos oriundos dos 10% de operações com maior perda (p. ex. se você teve 30 operações com prejuízo, calcule quanto as 3 maiores perdas contribuíram para os prejuízos totais);
Você vai notar que os lucros tendem a se concentrar em poucas operações, um fenômeno estatístico que se deve à natureza não-linear dos movimentos de preços das ações (no meu caso, por exemplo, 78% de todo o lucro auferido nos últimos quatro anos tiveram origem nos 10% de operações mais lucrativas, o que é condizente com o perfil operacional de um trend follower). Por outro lado, se a maior parte dos prejuízos concentra-se em poucas operações, isso é indício de um gerenciamento de risco deficiente, que está deixando margem para a ocorrência de grandes prejuízos, os quais podem facilmente anular os poucos grandes ganhos e jogar rapidamente a evolução do P/L para o terreno negativo.

domingo, 23 de novembro de 2008

INDICADORES TÉCNICOS

O pressuposto fundamental da análise técnica é que os temores, as expectativas e o grau de informação de cada um dos milhares de agentes do mercado serão refletidos, coletivamente, no movimento dos preços e volumes negociados. E como a natureza humana comum a todos os agentes é sempre a mesma e invariável ao longo do tempo, é possível discernir padrões nos movimentos de preços e volumes, os quais indicam a tendência do mercado. Naturalmente, a plotagem dos movimentos de preços ao longo de uma escala de tempo é a maneira mais simples de mapear estes padrões e observar o surgimento e o desenvolvimento de tendências, mas a evolução da informática facilitou, ainda no final dos anos 60 e início dos anos 70, o emprego de inúmeras ferramentas estatísticas que recolhem as informações de preço e/ou volume e as transformam em indicadores que auxiliam o investidor a interpretar o que está acontecendo no mercado. (aos interessados nas origens da AT computadorizada, recomendo a leitura da excelente entrevista de Jack Schwager com Ed Seykota, um dos pioneiros na área, em Market Wizards.)

Não custa ressaltar que todos o indicadores técnicos são alimentados pelas informações básicas de preço e volume, as mesmas que se usa para a plotagem do gráfico de barras. Portanto não há nenhuma mágica metafísica por trás daquelas linhas coloridas que cruzam os monitores indicando pontos de compra e venda. São apenas instrumentos técnicos que tanto podem ajudar o investidor a atingir o objetivo de aumentar o seu capital, quando empregados com conhecimento de causa, como podem levá-lo à ruína quando empregados tresloucadamente, sem uma metodologia adequada. Os leitores que acompanham este blog já devem ter notado que não sou particularmente adepto do uso de indicadores. Embora já os tenha utilizado com mais freqüência no passado, hoje prefiro tomar decisões de entrada/permanência/saída com base apenas nos movimentos plotados no gráfico de barras, pois após alguns anos de experimentação descobri que para o meu estilo de trading, less is more. Quanto mais
simples mantenho as coisas, maiores os ganhos e menores os prejuízos.

Apesar de não usar indicadores para definir pontos de entrada e saída, continuo utilizando-os como ferramentas de interpretação do panorama de mercado, sobretudo em relação às tendências de longo prazo, visíveis com mais clareza nos gráficos semanais. Nesse sentido, o meu indicador favorito é o MACD (Moving Averages Convergence-Divergence). Criado nos anos 70 por Gerald Appel, até hoje fornece um dos mais seguros indicadores de reversão conhecidos em AT. Esse indicador tem como base três médias móveis exponen
ciais: de 26 períodos, de 12 períodos e de 9 períodos (esses são os padrões, mas podem ser variados desde que se mantenha aproximadamente a mesma proporção entre eles). A MM-12 é subtraída da MM-26 e a diferença entre elas é plotada como a "Linha MACD", - ou linha rápida. Depois calcula-se uma MM-9 da "Linha MACD" e plota-se o resultado como a "Linha de Sinal" - ou linha lenta.

Na sua interpretação mais básica, o indicador gera um sinal de compra sempre que a linha de Sinal cruza a MACD de baixo para cima; o sinal de venda é gerado quando a linha de Sinal cruza a MACD de cima para baixo. Agora, o que vale realmente a pena observar no MACD são as divergências, especialmente no gráfico semanal. Divergências ocorrem sempre que o indicador falha em acompanhar a tendência de preço: numa divergência de baixa, os preços fazem um novo pico, mas o indicador não acompanha esse pico; o inverso ocorre na divergência de alta, os preços fazem um novo fundo, mas o indicador não acompanha esse fundo. Quase sempre essas divergências são uma sinalização no sentido de ser iminente uma correção mais forte na tendência de alta ( ou de um repique mais forte, no caso de tendências de baixa) ou mesmo de uma reversão.

Podemos observar essa dinâmica em ação do gráfico semanal do IBOV, onde marquei três divergências: 1. A divergência de alta que se formou entre setembro/01 e outubro/02 e que marcou o início da última onda de alta em nosso mercado; 2. A divergência de baixa que se formou entre janeiro e maio de 2006 e que precedeu uma correção moderada dentro da tendência de alta; 3. A divergência que se formou entre outubro/07 e maio/08 e que sinalizou com bastante clareza a fortíssima correção pela qual estamos passando.